Maurício de Almeida Abreu
Nasceu no Rio de Janeiro em 18 de dezembro de 1948, em uma família de classe média. Seu avô era um advogado e historiador que durante 50 anos, trabalhou no Arquivo Público do Estado de São Paulo e escreveu toda a história do litoral paulista. O pai era contador e trabalhava para uma empresa estadunidense de publicidade, J. Walter Thompson, falava inglês e latim pois inicialmente tencionara ser padre. A mãe era dona de casa. Formada em piano pelo Conservatório de Música paulista, falava francês. Mauricio era o caçula de três irmãos.

Fez o curso primário em escola particular, mas completou o antigo ginásio e o 2º grau no Colégio Dom Pedro II, que possuía uma espécie de prova para entrar, na época, por ser muito concorrido. Três meses antes de fazer o vestibular, decidiu-se por geografia, assunto pelo qual sempre teve interesse, desde criança, mas acabou fazendo o vestibular de Letras da UFF, que mais tarde abandonou. Dois meses após ter passado em Letras, fez o vestibular de Geografia, em que foi aprovado em 1º lugar, em 1967. Em 1968, foi aluno de Lysia Bernardes, que o indicou para o IBGE onde fez estágio, abandonando, em definitivo, a área de Letras. Foi aluno, entre outros professores, de Maria do Carmo Corrêa Galvão e Bertha Becker, além da geógrafa urbana Maria Therezinha de Segadas Soares. No início de sua carreira contou ainda com o apoio dos geógrafos Lysia e Nilo Bernardes.

Seu primeiro trabalho, no terceiro ano de graduação, foi sobre "As causas do Crescimento Urbano recente de Itaboraí-Venda das Pedras", ao lado de Maria do Socorro Diniz, e publicado no Boletim Carioca de Geografia. Na época, trabalhou também como estagiário no IBGE. Terminou a licenciatura em Geografia em 1970, quando ingressou como estagiário e depois como geógrafo no Centro de Pesquisas Urbanas do IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal). Em 1972, sob inspiração dos debates da Conferência da ONU para o Meio Ambiente, em Estocolmo, produziu pelo IBAM seu primeiro livro, "Sistema Urbano de Conservação do Meio Ambiente". Realizou estudos de pós-graduação na Ohio State University, onde finalizou o Mestrado (M.A., 1973) e o Doutorado (Ph.D., 1976), retornando ao Brasil como um dos mais jovens doutores em Geografia, aos 27 anos. Em 1977, foi contratado como professor colaborador na UFRJ (tornando-se professor visitante em 1979 e titular em 1997) e trabalhou em pesquisa coordenada por Carlos Nelson Ferreira dos Santos no IBAM. Foi quando começou seu interesse pela geografia histórica do Rio de Janeiro, ao pesquisar sobre políticas públicas desde o século XIX. Em 1978 participou de mesa-redonda sobre Geografia Urbana no Congresso da AGB em Fortaleza, ao lado de Milton Santos, recém retornado ao Brasil, fato que representou uma mudança na sua perspectiva de Geografia, incorporando sua abordagem crítica. Isto se reflete no seu primeiro grande trabalho, "Evolução Urbana do Rio de Janeiro", cuja produção foi desenhada em 1978 mas que somente seria publicado em 1987. Em 1984 foi professor visitante na University of Central Florida.

Em 1993 e 1994 realizou estágios de pós-doutorado na Alemanha (Universidade de Tübingen) e na França (Institute de Recherche des Sociétés Contemporaines). Tornou-se pesquisador 1 A do CNPq, onde ocupou ainda o cargo mais importante em sua área, como representante da área de Geografia Humana. Também foi indicado por seus pares como representante da Geografia junto ao comitê avaliador da pós-graduação na CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Publicou vários trabalhos, no Brasil e no exterior, na forma de livros – especialmente "Evolução Urbana do Rio de Janeiro" (já em sua 4a edição), "Natureza e Sociedade no Rio de Janeiro" (1992) e "Rio de Janeiro: formas, movimentos, representações" (2005). Este último foi elaborado em conjunto com sua equipe de trabalho, grupo que se consolidou como o Núcleo de Pesquisas de Geografia Histórica, o mais importante da área no Brasil, com a formação de vários mestres e doutores. Fez parte do Grupo de Estudos Urbanos, responsável pela publicação da revista Cidades, e foi pesquisador da FAPERJ.

Seu último e maior trabalho, "Geografia Histórica do Rio de Janeiro – séculos XVI e XVII" (2010, em 2 volumes), recebeu, em abril de 2011, o Prêmio Milton Santos concedido pela ANPUR (Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional) e foi também eleito o Melhor Livro do Ano em Ciências Sociais e História pela Academia Brasileira de Letras, em julho de 2011. Recebida com grande louvor, a obra representa uma enorme contribuição, inédita, à Geografia e à História não apenas da cidade do Rio de Janeiro e do entorno da baía de Guanabara como também do próprio Brasil colonial como um todo, na medida em que o Rio de Janeiro começava a se consolidar, gradativamente, como núcleo de referência política e econômica no conjunto da Colônia. Este minucioso trabalho com fontes primárias até então desconhecidas, realizado em inúmeros arquivos, em países como Portugal e Itália (Vaticano), trouxe resultados que transformam substancialmente algumas das interpretações historiográficas tradicionais sobre o Rio de Janeiro nos dois primeiros séculos de sua colonização.

O Instituto Pereira Passos da Prefeitura do Rio de Janeiro criou o Prêmio Mauricio de Almeida Abreu para melhores teses de doutorado e dissertação de mestrado. A ANPEGE – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia concedeu seu nome ao prêmio de melhor tese. A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro deu o nome de Rua Mauricio de Almeida Abreu a um logradouro localizado no bairro de Pedra de Guaratiba.

A Cãmara Municipal do Rio de Janeiro concedeu a Mauricio Abreu o conjunto de medalhas de mérito Pedro Ernesto, em março de 2011.

Maurício faleceu em 09 de junho de 2011, no Rio de Janeiro.
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